Certa vez, nas minhas andanças mata adentro lá pelas bandas da floresta azul, nas cercanias do rio Jenipapo no Estado do Piauí, eis que me deparei com uma cena pra lá de intrigante. Veja você! Quando caminhava dentro de um igarapé ouvi ruídos em cima de um lajedo e olhando o que era, avistei uma grande macacada, isso mesmo, era um grupo de uns vinte, aproximadamente.
Era uma barulheira terrível, naquela folia toda, eles nem perceberam a minha presença. Eu fiquei ali olhando e avaliando, só então pude entender que se tratava de um trabalho coletivizado quebrando coquinhos. Tinha um que erguia uma pedra de mais ou menos dois quilos e soltava em cima do coquinho, enquanto os outros recolhiam os fragmentos dos bagos, fazendo um montinho, supostamente, para posterior divisão. Só quando os assustei, dando alguns passos à frente, foi que fugiram em disparada, com exceção de um, o de rosto amuado que estava em cima de uma grande árvore. Este, foi descendo, descendo, descendo e me encarando, como quem quisesse me dizer algo; talvez até fosse lamentando eu não poder compreendê-lo.
Fiquei ali por uns minutos, parado, contemplando a forma estranha de encarar daquele bicho. Depois segui meu rumo, enveredando por dentro da mata e quando caminhei por alguns minutos, escutei grande reboliço nos arvoredos, seguido de uma barulheira que soava como um peditório seguido de murmuração... Quando me aproximei cheio de curiosidade, para minha surpresa, reconheci aquele mesmo macaco que tinha me encarado, agora estava ele ali, cercado e sendo açoitado pelos demais do bando. Confesso que fiquei estarrecido, tentando entender o porquê daquilo tudo. Pois se quer tinha eu, mexido nos coquinhos deles! Talvez fosse mesmo um corretivo pela desatenção. Sei lá! O que posso afirmar é que a coisa foi feia.
*Pedro Monteiro é piauiense, cordelista e escrivinhador de contos.
O Conto do Corretivo é fictício, minha fonte de inspiração foi a leitura da entrevista do professor e Etólogo (especialista em comportamento animal) Eduardo Ottoni, da USP, dada ao portal: WWW.G1.COM.BR O PORTAL DE NOTÍCIAS DA GLOBO, na qual ele fala da trajetória evolutiva do macaco-prego no Estado do Piauí.