Através do sistema agroflorestal é possível conservar o meio ambiente e fornecer retorno para o produtor. “Porém, é preciso destacar que o foco deixa de ser a otimização da produção e passa a se considerar a diversificação de culturas, através de estratégias de manejo melhorador do solo e condições ecofisiológicas dos cultivos. Este estilo de cultivo da terra permite produzir alimentos e tornar as terras mais produtivas, ou seja, a produção de alimentos não é um fim em si mesmo, mas um processo que serve para recuperar áreas degradadas e conservar a natureza”, explica o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Joel Cardoso. A Embrapa Clima Temperado está realizando pesquisas que pretendem estabelecer orientações que auxiliem o produtor rural em práticas de sistemas agroflorestais, adequado para a recuperação de matas ciliares ou áreas degradadas. Para isso, foram implantados na Estação Experimental da Cascata diversos experimentos que em breve poderão identificar quais as espécies arbóreas e plantas de cobertura possuem potencial para a restauração ambiental de áreas degradadas. O trabalho vai permitir a conservação das matas de borda de rio e de topos de morro por ser uma exigência do Código Florestal. Esse estabelece que propriedades rurais que possuem nascentes d´água e córregos devem manter suas margens preservadas. É necessário respeitar uma distância mínima dos cursos d´água, pois a mata encontrada nessas áreas mantêm um corredor ecológico que favorece a biodiversidade e protege os recursos hídricos. Segundo ele, os sistemas agroflorestais incentivam o uso de práticas agrícolas de forma integrada, calcadas em conhecimentos tradicionais. Consiste no plantio de espécies lenhosas perenes (árvores e arbustos) que estão se desenvolvendo em associação com plantas herbáceas (vegetais, pastagens) ou animais, em um arranjo espacial, uma rotação, ou ambos. “Através da utilização inclusive de árvores frutíferas, associadas às atividades apícolas e ao turismo ecológico”, conclui o pesquisador.
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