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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005
A mata atlântica pernambucana, uma sugestão aos professores

Por

Isabelle Meunier

 

As formações florestais reunidas sob o nome genérico de Mata Atlântica deram o nome a mesorregião da Mata Pernambucana e constituíram, há cinco séculos, a primeira riqueza extraída pelo reino português na recém descoberta terra do pau-brasil. Foram os recursos florestais o primeiro indício de viabilidade econômica da colônia da Vera Cruz, destacando-se aí o pau-brasil, ao qual somaram-se inúmeras madeiras valiosas, depois denominadas madeiras-de-lei, de exploração exclusiva da Coroa portuguesa.

 

A Mata Atlântica brasileira é, na realidade, um complexo de tipos de florestas, em geral latifoliadas, pluviais, tropicais a subtropicais, que se estende ao longo da costa leste da América do Sul. As florestas evoluíram ao longo desta costa em função do relevo, regimes de vento e correntes oceânicas, ocupando finalmente suas fronteiras históricas, que vão do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, distribuídas ao longo de faixa de largura variável, acompanhando o litoral.

 

Segundo Andrade-Lima, 1960  , duas zonas fitogeográficas podem ser identificadas nas áreas dos municípios que compõem a Mata Pernambucana: as zonas do Litoral (aí se incluindo as subzonas de praias, mangues, restingas e terraços litorâneos) e da Mata. As formações florestais aí ocorrentes e outros ecossistemas associados são considerados domínios da Mata Atlântica.

 

Hoje, os fragmentos da Mata Atlântica pernambucana constituem pequenas ilhas de vegetação, circundadas por canaviais e assentamentos urbanos, sujeitas à deposição de lixo, à extração ilegal de lenha e madeira para construções e ao desmoronamento de encostas devido ao corte de barreiras para extração do barro. A monocultura canavieira, além de representar uma constante pressão às poucas áreas ainda com cobertura florestal, através do desmatamento para ampliação dos plantios de cana e dos incêndios florestais provocados pela queima da palha dos canaviais, ainda ameaça a fertilidade e estabilidade dos solos, incorporando ao processo produtivo solos altamente susceptíveis aos processos erosivos, sobretudo nas áreas mais chuvosas e de relevo fortemente ondulado.

 

À agroindústria canavieira se aliaram o crescimento urbano desordenado, os empreendimentos imobiliários e turísticos, além da demanda crescente de produtos florestais, principalmente energéticos, delineando um quadro de extremo risco à conservação dos poucos remanescentes de Mata Atlântica em Pernambuco.

A exploração da Mata Atlântica data de milênios, enormemente acentuada após a chegada dos europeus. Tratando-se Recife de importante centro exportador da ibirapitanga (Caesalpinia echinata), o conhecido pau-brasil, é plausível acreditar que todas as nossas matas foram rigorosamente esquadrinhadas a partir de 1500, em busca desta e de outras valiosas madeiras e produtos comercializáveis.

 

A monocultura canavieira veio, desde os primeiros anos da colônia, contribuir de forma marcante para a devastação das matas pernambucanas, situação agravada neste século pelo crescimento urbano desordenado.

 

Conforme os dados extraídos do levantamento da cobertura florestal do Estado de Pernambuco, realizado pelo Projeto PNUD/IBAMA/Governo de Pernambuco, a região da Mata pernambucana apresenta pouco mais de 4,2% da sua área total com cobertura florestal.   

 

É difícil se afirmar que a composição florística e a estrutura observadas hoje em fragmentos da Mata Atlântica, ou mesmo relatadas por estudiosos do passado, correspondam às de uma floresta primitiva. Hoje, os remanescentes florestais são formações sucessoras em diversos estádios sucessionais, que vão desde formações pioneiras até áreas de vegetação secundária em estágio avançado. Entre as espécies arbóreas da Mata Atlântica pernambucana destacam-se: visgueiro (Parkia pendula), sucupira (Bowdichia virgilioides), sucupira preta (Diplotropis purpurea), amarelo (Plathymenia foliososa), ingá porco (Sclerolobium densiflorum), ingás (Inga sp), maçaranduba (Manilkara sp), sambacuim (Scheflera morototoni), amescla (Protium heptaphyllum,); oiti-da-mata (Coepia rufa), cabo-de-machado (Aspidosperma discolor) sapucaia (Lecythis pisonis), embiriba (Eschweilera ovata), mamajuda (Sloanea obtusifolia) entre muitas outras, algumas ainda pouco conhecidas e de classificação incerta.

 

A fauna de vertebrados terrestres desta formação florestal é diversificada, com predominância de espécies de pequeno e médio portes, e já se identificam espécies de répteis, aves e mamíferos em vias de extinção, tanto pela caça como, principalmente, pela destruição dos seus habitats.

 

O risco de extinção das espécies arbóreas está também, nesta região, mais associado ao desmatamento e a perda de áreas florestadas, do que à exploração seletiva de determinadas espécies, embora isto também ocorra.

 

Do ponto de vista legal, é importante observar que as formações florestais e os ecossistemas associados considerados áreas de domínio da Mata Atlântica, são protegidos contra corte, exploração e supressão pelo disposto no Decreto n0 750, de 10 de fevereiro de 1993, regulamentado por resoluções do CONAMA.

 

A VEGETAÇÃO DOS MANGUEZAIS

 

Os manguezais correspondem ao tipo de vegetação litorânea tropical, característica de meios salobros e periodicamente inundados, onde as espécies apresentam adaptações especiais ao elevado conteúdo de sal e a carência de oxigênio.

 

O número reduzido de espécies de mangue deve-se justamente a esta extrema especialização. Nos manguezais pernambucanos, hoje reduzidos a pequenos e isolados fragmentos, podem ser encontrados indivíduos de Rhizophora mangle, Laguncularia racemosa, Conocarpus erectus e Avicennia sp, que vivem obrigatoriamente nas áreas pantanosas, além de algumas outras poucas espécies marginais.

 

Apesar da pouca diversidade florística, os manguezais são reconhecidos como ecossistemas altamente produtivos, “berçário dos oceanos” e “primeiro elo na cadeia alimentar marinha”. Têm papel fundamental na proteção das costas dos continentes contra o embate das ondas, na retenção de sedimentos do solo, evitando aterramento de rios e faixa de mares, na diminuição das forças das enchentes nas áreas ribeirinhas, na filtragem de poluentes, na proteção à fauna silvestre e na conservação da biodiversidade.

 

Rhizophora mangle, o “mangue vermelho”, “mangue gaiteiro” ou “mangue de espeto”, considerado o mais importante de todos os mangues, é extremamente característico pelas suas raízes-escoras, também respiratórias, e que, mais do que qualquer outro, confere fisionomia própria aos manguezais

 

É importante salientar que as trocas entre as águas doce e salgada e a periodicidade das enchentes e vazantes são essenciais para a vida deste ecossistema. Assim, ao se obstruir a entrada e saída d’água, dá-se origem a formação de terrenos alagados, com águas paradas e podres, impróprias a fauna e a flora dos manguezais e insalubres para as populações vizinhas.

 

SUGESTÃO AOS PROFESSORES

 

Um passeio pelas diferentes formações vegetais do Nordeste, a bordo de um trem, agora seguindo do Litoral à Mata...

Com o poema Trem das Alagoas, do mestre Ascenso Ferreira, podemos trabalhar um pouco da geografia e história da nossa terra, de forma integrada às outras disciplinas do Ensino Fundamental ou Médio. Esse texto propõe isso: pela poesia, conhecer um pouco mais da Mata Atlântica e, conhecendo-a, amá-la e conservá-la. 

 

O TREM DE ALAGOAS –Ascenso Ferreira

 

O sino bate,

O condutor pita o apito,

Solta o trem de ferro um grito,

Pôe-se logo a caminhar...

 

- Vou danado pra catende,

vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

com vontade de chegar...

 

Mergulham mocambos

Nos mangues molhados,

Moleques mulatos,

Vêm vê-lo passar.

 

– Adeus!

– Adeus!

 

Mangueiras, coqueiros,

Cajueiros em flor,

Cajueiros com frutos

 Já bons de chupar....

           

- Adeus, morena do cabelo cacheado!

 

- Vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

com vontade de chegar...

 

Mangabas maduras,

Mamões amarelos,

Mamões amarelos

Que amostram, molengos,

As mamas macias

Pra gente mamar

 

- Vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

com vontade de chegar...

 

Na boca da mata

Há furnas incríveis

Que em coisas terríveis

Nos fazem pensar:

 

- Ali dorme o Pai-da-Mata!

-Ali é a casa das caiporas!

 

- Vou danado pra catende,

vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

com vontade de chegar...

 

Meu Deus! Já deixamos

A praias tão longe...

No entanto, avistamos

Bem perto outro mar...

 

Danou-se, se move,

Se arqueia, faz onda...

Que nada! É um partido

Já bom de  cortar...

 

- Vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

com vontade de chegar...

 

Cana-caiana,

Cana-roxa,

Cana-fita,

Cada qual a mais bonita,

Todas boas de chupar...

 

- Adeus, morena do cabelo cacheado!

 

- Ali dorme o Pai-da-Mata!

-Ali é a casa das caiporas!

 

- Vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,

com vontade de chegar...

 

Sugestões de atividades interdisciplinares a partir da leitura do TREM DAS ALAGOAS

 

1.         Pesquisa sobre o poeta: biografia, locais onde viveu, estilo literário, importância para a poesia pernambucana e brasileira.

 

2.         Análise de vocabulário, sintaxe, pontuação, classes gramaticais, figuras de linguagem, etc.

 

3.         Interpretação do poema quanto a forma, ritmo, sonoridade e significados.

 

4.         Organização de jogral para apresentação do poema.

 

5.         Elaboração de mapa com o percurso do Trem das Alagoas, mostrando os ambientes de cada local, suas características e peculiaridades. Pesquisa sobre mangues e outros tipos de vegetação do litoral, a transição para a Zona da Mata e o histórico da formação do mar de cana. (Ver textos a seguir)

 

6.         Entrevistas com adultos sobre lendas e mitos antigos. Apresentação dos resultados obtidos por meio de redações e desenhos.

 

7.         Narrativa sobre Assombrações da Mata.

 

8.         Visita a um fragmento de mata, contrastando com o ambiente circundante onde impera a cana-de-açúcar, com relatório escrito da visita.

 

* Engenheira Florestal, M.Sc.

Professora do Departamento de Ciência Florestal da UFRPE
 

           

 

 

 

Da redação do Nordeste Rural
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25.10.2012 05h30>
Estudo e conservação de matas ciliares: Caso no riacho do navio em Pernambuco

 
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