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segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Andiroba: estudos ecológicos e genéticos para o manejo e a conservação da espécie

Por

Christie Klimas*

Andréa Raposo**

Lúcia Helena de Oliveira Wadt***

Karen A. Kainer****

 

As florestas tropicais estão desaparecendo rapidamente no mundo inteiro. A última grande extensão remanescente é a Floresta Amazônica, onde o Brasil abriga grande parte de sua área. O uso sustentável dos recursos florestais tem sido sugerido como uma alternativa viável para reconciliar a conservação das florestas com as necessidades de desenvolvimento que freqüentemente causam o desmatamento.

 

Para o manejo sustentável de qualquer espécie florestal, é necessário um amplo conhecimento de suas características ecológicas e também de aspectos da estrutura genética das populações. Dentre as características mais importantes estão: dinâmica da regeneração (fenologia, dispersão, condições para germinação das sementes e crescimento das mudas) e conhecimento do fluxo gênico, da diversidade genética entre e dentro de populações e do sistema reprodutivo. A falta destes conhecimentos é preocupante devido ao risco de exploração irracional, sem previsão de conseqüências tanto para a espécie alvo como para o ecossistema como um todo. Além disso, o potencial econômico da grande maioria das espécies arbóreas da Amazônia também não é conhecido e as estratégias de manejo ainda não estão identificadas para a maioria destas.

 

A andiroba (Carapa guianensis) é uma das inúmeras espécies arbóreas da Amazônia com importância econômica. Sua madeira é de excelente qualidade, sendo comparada com a do mogno, mas também é muito valorizada pelo óleo extraído das sementes, principalmente pelas indústrias farmacêutica e de cosméticos. Atualmente, a procura pelo óleo de andiroba vem crescendo substancialmente, demandando a extração de sementes em áreas de florestas naturais. Devido à maior conscientização dos mercados sobre o uso sustentável dos recursos naturais e o crescente interesse mundial por produtos certificados, a necessidade de estudos ecológicos e genéticos dessa espécie torna-se eminente.

 

Diante dessa necessidade, a Embrapa Acre em parceria com a Universidade da Flórida e com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) têm desenvolvido pesquisas em ecologia e genética de Carapa guianensis (andiroba).

 

Na Reserva Florestal da Embrapa Acre foram instaladas quatro parcelas de 16 ha cada uma, sendo duas em terra firme e duas em áreas de alagamento (baixio). Nestas parcelas foram mapeadas e plaqueteadas todas as andirobeiras com diâmetro à altura do peito (DAP)  10 centímetros, totalizando 1.302 árvores. Conjuntamente com o mapeamento, foi anotado para cada árvore se havia sinais de reprodução e instalados dendrômetros em várias árvores adultas, para acompanhar o crescimento diamétrico considerando diferentes classes de DAP. Estudos de regeneração também estão sendo realizados, com o objetivo de monitorar o crescimento, sobrevivência e mortalidade das mudas. Também foram selecionadas andirobeiras para acompanhamento da produção e dispersão de sementes. Com estes estudos, será possível aplicar a metodologia de modelagem por matrizes e estimar níveis sustentáveis de coleta de sementes, gerando dados concretos para o manejo da espécie na região. Além disso, essa metodologia permite dar continuidade aos ajustes do modelo ao longo dos anos.

 

Além do estudo ecológico, está sendo realizado um outro estudo para avaliação da estrutura genética de subpopulações. Foram coletadas amostras foliares de todas as andirobeiras com DAP ≥ 15 cm (cerca de 700 árvores) de duas parcelas (uma de terra firme e outra de baixio) e também de algumas plântulas, as quais foram enviadas à Embrapa Recursos Genéticos (Cenargen) para extração do DNA e análise de marcadores genéticos (microssatélites). Com este estudo será possível determinar a diversidade genética da população e também o fluxo gênico por meio da dispersão de sementes (um tipo de teste de paternidade). Estes resultados serão importantes para definir o impacto da coleta de sementes na diversidade e manutenção da população, além de indicar se há diferenças nas populações de terra firme e de baixio.

 

Com base nas informações geradas por estas pesquisas, será possível definir estratégias de manejo para a espécie com maior segurança sobre sua sustentabilidade ecológica e criar modelos que possam ser utilizados e melhorados com o acúmulo de dados no decorrer dos anos de manejo.

 

 

*Estudante de mestrado da Universidade da Flórida

**Estudante de doutorado do Departamento de Genética da ESALQ/USP

***Pesquisadora da Embrapa Acre

****Profa. Dra. da Universidade da Flórida

Da redação do Nordeste Rural
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