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segunda-feira, 10 de abril de 2006
Avicultura: situação e perspectivas brasileira e mundial

 

Por

Franco Müller Martins, MSc,*
Dirceu João Duarte Talamini, PhD,*
Marcos Novaes**

A avicultura brasileira alcançou, nos últimos 30 anos, níveis de produtividade e ajuste na organização e coordenação que a colocam como uma das mais competitivas do mundo. A atividade baseia-se na estratégia de parceria ou integração entre agroindústria e produtores. As empresas fizeram investimentos na modernização dos processos ao longo da cadeia produtiva, desenvolveram e aperfeiçoaram a logística, otimizando desde a distribuição de pintos de um dia e das rações aos produtores até a entrega do produto no varejo ou nos portos para exportação.

Nas últimas décadas, o avanço tecnológico permitiu melhorar significativamente os principais índices técnicos como a conversão alimentar, a idade de abate e mortalidade das aves. As principais matérias-primas – milho e soja – para a avicultura também tiveram incrementos de produtividade, aumento das áreas produzidas e abertura de novas fronteiras de produção, o que provocou um deslocamento da produção destas commodities principalmente para o Centro-Oeste do país onde passaram a ser produzidas em maior escala do que na região sul. Este foi um fator preponderante na instalação de unidades agroindustriais para o abate e processamento de suínos e aves naquela região.

Este conjunto de fatores ensejou uma grande habilidade em atender às mudanças nos hábitos dos consumidores domésticos e externos com significativas vantagens competitivas e comparativas no mercado internacional. A avicultura brasileira oferece a consumidores de uma ampla faixa de renda, uma grande diversidade de produtos que atendem às necessidades de praticidade e conveniência, visto que o consumo de cortes e produtos elaborados vem crescendo em detrimento do consumo do frango inteiro.

Assim, Brasil é hoje o terceiro maior produtor e líder mundial nas exportações de carne de frango. Das 8,5 milhões de toneladas produzidas em 2004, 29% destinaram-se ao mercado externo resultando em quase 2,5 milhões de toneladas e gerando a uma receita cambial de US$ 2,6 bilhões. A estimativa de produção para 2005 é de 9,2 milhões de toneladas, ou seja, um incremento de 8,2% sobre a produção de 2004. É o segundo produto nas exportações do agronegócio e o sexto na pauta de exportações do país. No Brasil, estima-se a geração de 3,8 milhões de empregos na cadeia produtiva (ABEF, 2004).

O Consumo no Brasil

O Brasil apresenta um dos maiores índices de consumo médio de frango por habitante, que elevou-se de 12,7 para 33,9 kg entre 1989 e 2004 e deve atingir 34,7 kg/habitante em 2005 (ABEF), ficando atrás dos Estados Unidos e quase empatado com a Arábia Saudita. Isso se deve ao preço mais baixo em relação ao das carnes bovina e suína, pela estabilidade promovida pelo plano real e pela diversidade e praticidade dos produtos oferecidos, associadas ao conceito de um produto saudável. Mesmo no mercado doméstico o consumo de cortes e elaborados vem tirando espaço do frango inteiro. No entanto, a crescente demanda das carnes de suínos e aves gerou aumento no consumo de carnes em geral pois foi mantida a demanda pela carne bovina. Entre 1998 e 2005, as carnes de frangos e suínos tiveram o consumo aumentado em 56% e 23% respectivamente, enquanto que, no mesmo período, o da carne bovina teve aumento de apenas 13% (USDA). Na Figura 1 observa-se o consumo per capta de frango no Brasil comparado com outros países. O consumo na União Européia considera os 25 países que integram o bloco desde 2004. A Figura 2 apresenta graficamente a evolução do consumo das carnes de frango suína e bovina, no Brasil, entre 1998 e 2005, e permite visualizar o crescimento do consumo da carne de frango e suína e a estabilização no consumo da carne bovina.

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Fonte: ABEF

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Fonte: USDA.

Comparando-se 1998 e 2005 os brasileiros consumiram 5,85 e 6,60 milhões de toneladas de carne bovina, 1,61 e 1,98 milhões de toneladas de carne suína bem como 3,99 e 6,24 milhões de toneladas de carne de frango, respectivamente.

Consumo Mundial

O consumo mundial não teve a mesma taxa de crescimento observada no Brasil. Isso é mais uma prova da competitividade da avicultura brasileira que mesmo assim vem ampliando sua participação nas exportações. Se entre 1998 e 2005 o consumo no Brasil aumentou em quase 60% o crescimento global foi de 41%, atingindo, de acordo com a ABEF, perto de 9 kg/hab/ano.

O consumo mundial da carne de frango evoluiu de 39,6 para 55,9 milhões de toneladas entre 1998 e 2005. É a segunda carne mais consumida, ficando atrás da carne suína cujo consumo deve atingir 91,6 milhões de toneladas em 2005. A carne bovina é a terceira mais consumida com 50,1 milhões de toneladas. A Figura 3 mostra a evolução do consumo das três carnes e possibilita visualizar a estabilidade no consumo de bovinos frente ao crescimento nas carnes de frango e de suínos. O consumo global deve atingir 197,3 milhões de toneladas em 2005 das quais, 28% correspondem à carne de frango, 46% de suínos e 25% de bovinos.

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Fonte: USDA.

A Tabela 1 apresenta a evolução no consumo per capta nos principais países e a Tabela 2 apresenta a evolução do consumo em mil toneladas. Observa-se que países compradores do frango brasileiro como a Rússia e Arábia Saudita apresentam crescimento no consumo per capta inferior ao do Brasil. Importantes clientes como a União Européia e o Japão tiveram redução no índice. No consumo agregado (Tabela 2) destaca-se a evolução ocorrida na Índia – 168 % - nos últimos 7 anos. Este aumento foi ajustado à evolução da produção no mesmo período (Tabela 3). A previsão é de que o consumo na Índia aumente em 15,3% em 2005. A Rússia, maior importadora mundial, apresenta um crescimento de 11,1% entre 2004 e 2005. Segundo as previsões do USDA o consumo mundial deverá crescer em 3,5% em 2005 e 2006.


Tabela 1. Evolução do Consumo Per Capita – Principais Países.-
Fonte : USDA – 2005 : preliminar


Tabela 2. Evolução do Consumo – Principais Países.-
Fonte : USDA – 2005: preliminar. U.E à partir de 2001 considera 25 países.

A Figura 4 permite a visualização da evolução do consumo para o 4 maiores países consumidores entre 1998 e 2005.

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Fonte : USDA

Produção no Brasil

Como já foi colocado, a produção brasileira deve fechar 2005 com 9,2 milhões de toneladas segundo estimativas da ABEF. As estimativas do USDA são um pouco menos otimistas como mostra a Tabela 3. De qualquer forma o é Brasil é o terceiro maior produtor e responsável por 15,6% da produção mundial, ficando atrás dos Estados Unidos com 27,1% e da China com 17,5 %.

Analisando a evolução da produção brasileira em cada região, nos últimos 10 anos verifica-se que elas não tem apresentado os mesmos índices de crescimento. A Região Sul, pioneira na avicultura, teve um incremento de 133% na sua produção e aumentou de 50 para 56% sua participação na produção brasileira. A região Centro Oeste é a mais recente área de expansão da avicultura. Esta região tem apresentando o maior crescimento da produção (306%) e também dobrou (5% para 10%) sua participação na produção brasileira, ultrapassando a região Nordeste e se colocando como a terceira maior região produtora. O Sudeste ainda ocupa a segunda posição embora esteja perdendo participação. As regiões Norte e Nordeste, devido aos pequenos volumes produzidos e custos mais elevados da alimentação das aves, têm uma pequena participação na produção nacional (Figura 5).

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Fonte: Anualpec/Apinco

Produção Mundial

De acordo com o USDA, em 2005, a produção mundial de frangos deve atingir 58,2 milhões de toneladas, sendo a segunda colocada em volume produzido, após a produção de suínos com 92 milhões de toneladas, que é a carne mais produzida no mundo, e antes da de bovinos com 52 milhões de toneladas, que é a terceira colocada.

Os maiores países produtores e as respectivas produções em 2005 são os Estados Unidos, com 15,8 milhões de toneladas, a China com 10,2 milhões de toneladas, o Brasil com 9,1 milhões de toneladas e a União Européia dos 25 países com 7,7 milhões de toneladas. A Tabela 03 apresenta os principais países produtores, a evolução percentual da produção entre 1998 e 2005 e entre 2004 e 2005. Os números preliminares revelam um crescimento no mercado mundial em torno de 4,3 %, sendo que a maior taxa de crescimento é observada na Índia.


Tabela 3. Evolução da Produção Mundial
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Fonte : USDA – 2005 : preliminar. U.E à partir de 2001 já considera 25 países.

O USDA prevê uma produção mundial de 60,6 milhões de toneladas para 2006 representando um crescimento de 4 % em relação a 2005. No Brasil está previsto crescimento de 5 % em 2006. A Figura 6 mostra, graficamente, a evolução da produção para os 4 maiores produtores mundiais.

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Após negociação na Organização Mundial do Comércio a União Européia se viu frente à necessidade de cumprimento de metas de redução dos subsídios à produção e à exportação e redução das tarifas aplicadas nas importações de frango de países não membros. Esta negociação tem reflexos na nova Política Agrícola Comum da União Européia (PAC) que entrou em vigor no início de 2005. Assim, a União Européia, apresentou um crescimento na produção até 2001, quando atingiu 7,9 milhões de toneladas e, com os Efeitos da PAC, vem reduzindo sua produção desde então. O surto da Influência Aviária ocorrido na Holanda em 2003, teve um importante efeito negativo reduzindo em cerca de 25% a produção do país e também suas exportações. Taxas positivas de crescimento da Espanha e da Alemanha impediram uma queda mais acentuada da produção da UE. Os dados do USDA, relativos à União Européia, levam em conta a integração dos 25 países desde o ano 2000.

Importações

No que se refere às importações, em 2005, de acordo com o USDA, o principal comprador deve continuar a ser a Rússia, com 1,04 milhões de toneladas, apesar de ter apresentando, em 2004, redução dos volumes importados. O Japão vinha reduzindo suas importações desde 2003 mas deve manter-se como o segundo maior importador, com 695 mil toneladas segundo as previsões do USDA. A Arábia Saudita está aumentando suas importações desde 2002 enquanto que a na União Européia o crescimento nas compras externas vem ocorrendo desde 2001. Para ambos a previsão é o fechamento das importações em torno de 440 mil toneladas em 2005.

A Tabela 4 apresenta os maiores importadores de carne de frango e as respectivas participações nas importações mundiais em 2005. A Figura 7 mostra a evolução das importações dos 4 principais países entre 1998 e 2005.

Tabela 4. Importações Mundiais em 2005.
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Fonte: USDA

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Fonte: USDA – 2005: preliminar

Exportações Mundiais

O comércio internacional foi fortemente perturbado a partir de 2003 pela ocorrência de surtos de Influenza Aviária, estabelecimento das cotas pela Rússia, desvalorização do dólar, entre outros fatores. O único país que tem mantido crescimento em todos os anos é o Brasil, que será analisado com mais detalhes mais adiante.

Os Estados Unidos, após ter sido o maior exportador perdeu a posição para o Brasil e tem enfrentado dificuldades como a ocorrência de surtos de Influenza Aviária, todos erradicados, e com as tempestades que atingiram e danificaram instalações nos portos do Golfo do México (Hurricane e Katrina). O potencial de produção de frangos é enorme, assim como a capacidade do tesouro americano para apoiar políticas de exportação. Assim, este país é um ator importante e competitivo no cenário internacional.

No que se refere as exportações da UE para países extra comunidade em 2005, ocorreu redução de 17% com relação as exportações de 2001 devido a uma redução da oferta e da forte valorização do Euro em relação ao dólar. As maiores reduções ocorreram na Holanda, com cerca de 50%, enquanto as da França tiveram redução de 11% e as da Alemanha de 6%. Apenas as exportações Inglesas apresentaram crescimento de 62%. Em 2005, nos primeiros 6 meses as exportações apresentaram um crescimento de 3,5% com relação ao mesmo período de 2003, decorrente do crescimento de 29% das exportações da Alemanha e de 5% das da Holanda, apesar da redução de 15% das exportações do Reino Unido. Os demais países ou blocos econômicos ou tiveram volumes estagnados ou sofreram redução das exportações.


Na Tabela 5 pode-se observar os principais exportadores mundiais em 2005 e a Figura 8 mostra a evolução das exportações dos 4 principais países.
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Tabela 5: Principais exportadores de frangos em 2005
Fonte: USDA

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Fonte: USDA – 2005 : preliminar

Exportações do Brasil

As quotas impostas pela Rússia causaram significativa redução nas exportações brasileiras para aquele destino - 38% nas quantidades de frangos inteiros e de 27% nas de cortes. Houve problemas também com a UE, com a alteração de tarifa aplicada nas importações de frango salgado que era de 15,4 % e passou a 75% motivando uma ação constestatória do Brasil junto a OMC. Recentemente a OMC decidiu favoravelmente ao Brasil, determinando a redução da para o nível anterior apesar da tentativa da UE de manter ou retardar a redução, o que é importante para a retomada e crescimento das exportações do produto.

O câmbio favorável e a não ocorrência de surtos de Influenza aviária no país em 2003 fizeram com que as exportações do Brasil crescessem 20 % em relação a 2002 superando os 2 milhões de toneladas. Mesmo com a valorização do real a partir de 2003, as exportações brasileiras de frango continuaram a crescer, movidas, em parte, pela elevação do preço internacional e pela inclusão de produtos de maior valor agregado na pauta de exportação, sendo que o país foi praticamente o único com volumes crescentes de exportação de carne de frango. Dados das exportações brasileiras até agosto de 2005, mostram crescimento de 26% dos embarques em relação ao mesmo período de 2001. As exportações de frangos inteiros e de cortes cresceram, respectivamente, 28% e 25%, apesar da redução de 17% nas vendas para a Rússia e para a Europa.

O Brasil atingiu o status de maior exportador mundial de carne de frango em 2004. Em 1998 a participação do Brasil no mercado mundial era de 14,16% e em 2005 a estimativa é de 40,69% (Figura 9). O volume exportado cresceu quase 5 vezes no período, passando de 594 mil para 2,8 milhões de toneladas em 2005, atingindo mais de 140 países.

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Fonte: USDA - 2005: preliminar

Em relação ao mercado externo, o Brasil, além de aumentar sua participação nas exportações mundiais, vem aumentando a venda de cortes. A venda de frango inteiro é direcionada principalmente aos países árabes onde o hábito é o consumo do produto com peso médio de 1,3 kg por unidade.

A Tabela 6 mostra os principais destinos das exportações brasileiras de frango e a participação de cortes e inteiros. Os dados são uma comparação dos volumes comercializados entre janeiro e setembro de 2004 com o mesmo período de 2005. A Figura 10 apresenta a evolução dos volumes exportados de frangos inteiros, cortes e industrializados entre 2001 e 2005. A Figura 11 apresenta a distribuição das exportações por destino entre janeiro e setembro de 2005 (ABEF).


Tabela 6. Principais destinos das exportações brasileiras – Cortes e Inteiros. Janeiro a Setembro de 2004 – Janeiro a Setembro de 2005 – toneladas.
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Fonte: ABEF

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Barreiras ao comércio internacional de aves

O acesso ao mercado mundial de produtos avícolas deveria ser determinado pela competitividade do país fornecedor, decorrente dos custos de produção, incluídos os custos de transporte, garantia de fornecimento e qualidade dos produtos, os quais determinariam onde e quanto produzir. Países desenvolvidos como Estados Unidos, União Européia (UE) e Japão, impõem barreiras ao comércio internacional, protegendo seus mercados da concorrência de competitivos países em desenvolvimento.

Um dos exemplos mais marcantes de barreiras à importação de produtos agrícolas é a UE, por meio da Política Agrícola Comum (PAC). Apesar da pressão dos consumidores dos países da própria UE, do protesto de países em desenvolvimento e da cobrança das organizações multilaterais de comércio, a PAC sobrevive, com reformulações periódicas, estas mais por problemas de caixa do que por argumentos de racionalidade econômica ou contribuição para o desenvolvimento de países pobres. As barreiras podem ser de natureza econômica, comercial (tarifária), sanitária ou técnica. Quando o produto não entra nos países da UE é deslocado a terceiros devido aos subsídios da comunidade às suas exportações.

O objetivo da política da UE para a produção de aves, da carne e dos derivados é atender o mercado e garantir bom nível de vida para os produtores, contendo um forte componente de sustentação de preços. Assim, a UE pode conceder empréstimos para a estocagem de carnes ou para a sua compra por agências públicas de intervenção.

Quando há riscos de que a importação possa desestabilizar o mercado, tarifas adicionais de importação podem ser impostas. Quotas tarifárias são distribuídas em conformidade com a demanda dos operadores a cada três anos, mas estão sujeitas ao sistema de licenças de importação. Quando há evidências de que os preços no mercado vão aumentar, as taxas de importação podem ser parcial ou completamente suspensas. Quando necessário, podem ser concedidos subsídios às exportações, mas os operadores devem obter licença. Taxas que tenham efeito equivalente a obrigações alfandegárias ou a imposição de qualquer restrição quantitativa ou medidas similares são proibidas no comércio com terceiros países. Salvaguardas podem ser aplicadas quando houver risco de distúrbios de mercado, causadas por exportação ou importação.

Esta secção exemplifica os mecanismos de proteção de mercado aplicados na UE. Cada bloco econômico ou país pode utilizar medidas similares ou outras de acordo com os seus objetivos. A Organização Internacional do Comércio, lentamente, tem conseguido reduzir as barreiras econômicas e técnicas que dificultam e limitam as transações internacionais. O Brasil tem interesse nestas iniciativas e suas exportações devem crescer e, consequentemente, servir como estímulo ao crescimento da produção da sua agropecuária.

Apesar das condições favoráveis ao desenvolvimento da avicultura brasileira, o futuro pode ser comprometido caso ocorram problemas de sanidade animal, que originem perdas econômicas na produção e barreiras ao comércio internacional. Os recentes episódios de epidemias globais como é o caso da Influenza Aviária, que felizmente não foi registrada no Brasil, mas ocorreu em vários outros países produtores em 2001, 2003 e em 2005, é um alerta e fizeram com que as atenções se voltassem para a realidade sanitária da avicultura brasileira. A cadeia produtiva da carne de frango é complexa e envolve diversas operações logísticas entre Estados e Regiões com características geográficas e socio-econômicas diferenciadas. No Brasil, numa postura proativa, os agentes envolvidos - representantes do governo, empresários, instituições de pesquisa, técnicos de campo e outros - desde os primeiros casos ocorridos em outros países, tem estudado e implementado ações, alinhadas as normas internacionais, para evitar a contaminação.

Uma das iniciativas que merece destaque é a da regionalização das áreas de produção, que visa reduzir riscos e melhorar a segurança sanitária das criações do país. Além disso, caso uma região apresente problema passível de sofrer barreira comercial não impediria que outras continuassem livres do problema e pudessem continuar exportando. A regionalização, um dos exemplos de medida inteligente e adequada, tendo em vista o tamanho do país, começa a ser implementada à partir de janeiro de 2006. Além de proteger a avicultura brasileira dos problemas sanitários a medida deve provocar algumas transformações nos arranjos produtivos. Isto poderá ocorrer, em função de restrições no deslocamento de insumos orgânicos (cama de aviário e resíduos de incubatório) e de aves vivas entre estados e maior rigor na fiscalização do transporte interestadual de matrizes e pintainhos.

Outro destaque é a retomada da aplicação de rigorosos cuidados com a biosegurança dos aviários para reduzir os riscos de contaminação. As medidas tratam desde os procedimentos para as visitas, para o acesso de veículos, alimentos e medicamentos dos animais, entre outros. Várias orientações que fazem parte do programa de regionalização, em especial as que disciplinam e reduzem o transito de animais vivos entre estados e regiões brasileiras, devem ter efeito positivo na redução do risco sanitário das granjas avícolas.

A falta de recursos para o bom funcionamento da estrutura de defesa agropecuária, que é de responsabilidade do governo, a deterioração ou falta de rodovias em condição de uso e estrutura portuária saturada são elementos de influência negativa na competitividade da avicultura brasileira. A tributação excessiva e as taxas de juro também geram preocupações para o setor produtivo.

Finalizando, é possível dizer que as bases da cadeia produtiva da avicultura brasileira estão cada vez mais sólidas e ajustadas a realidade tanto do mercado nacional como da economia mundial globalizada. Mesmo reconhecendo a existência de problemas e barreiras de várias naturezas, que impedem o perfeito funcionamento da produção e do mercado, a visão do futuro é favorável devido às condições de recursos naturais e humanos necessários para o funcionamento da avicultura que devem manter a competitividade internacional do Brasil nessa importante atividade.

*Pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves,
área de sócio-economia

**Técnico de Nível Superior da Embrapa Suínos e Aves

Da Redação do Nordeste Rural
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22.07.2014 11h07>
Carne de frango: saúde sim, hormônio não

Por Jairo Arenázio*

 
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