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sábado, 16 de dezembro de 2006
O cultivo do mamão no Brasil

O Brasil é o primeiro produtor mundial de mamão, com uma produção anual de 1.650.000 t/ano, situando-se entre os principais países exportadores, principalmente para o mercado europeu. A espécie Carica papaya é o mamoeiro mais cultivado em todo mundo.

 

Recomendações Técnicas:

 

Clima e Solo

 

O mamoeiro vegeta bem em regiões de grande insolação. O solo mais adequado é o de textura areno-argilosa com pH variando de 5,5 a 6,7. Deve-se evitar os muito argilosos, pouco profundos ou localizados em baixadas.

 

Propagação e Plantio

 

O mamoeiro pode ser propagado por meio de sementes, estacas e enxertia. A propagação por sementes é a mais utilizada. Sistemas de plantio comercial - em cova, no sulco e em camalhões.

 

Custos de Produção e Análise de Rentabilidade

 

Espaçamento 4,00m x 2,50m (1.000 plantas/ha)

Produção Nacional e Internacional

 

Produção de Sementes

 

As plantas escolhidas para a produção de sementes devem ser hermafroditas, ter boa sanidade, baixa altura de inserção das primeiras flores, precocidade, alta produtividade, etc.

 

Produção de Mudas

 

As mudas podem ser produzidas em leiras ou em canteiros compostos de recipientes de plásticos.

 

Irrigação das Mudas

 

Em viveiros cobertos, as irrigações devem ser diárias, contudo sem excesso. Para os viveiros descobertos irrigar no mínimo duas vezes por dia.

 

Seleção das Mudas

 

Entre 20 a 30 dias após a germinação das sementes inicia-se a seleção das mudas para o plantio. Devem estar livres de pragas e doenças e com altura entre 15 a 20 cm.

 

Preparo do Solo

 

Observar as condições de umidade para evitar o processo erosivo. O preparo deve ser efetuado quando a umidade do solo estiver na faixa friável (úmido).

 

Plantio 

 

Com o solo preparado e o sistema de irrigação, o mamoeiro pode ser plantado em qualquer época do ano. Sem irrigação as mudas devem ser levadas para o campo no início das chuvas e plantadas em dias nublados ou chuvosos.

 

Calagem e Adubação

 

Para se determinar a necessidade de calagem e optar por um esquema de adubação, é preciso fazer a amostragem do solo para análise química de três a seis meses antes da implantação da cultura.

 

Adubação 

 

O mamoeiro responde bem à adubação orgânica, que traz como vantagens a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Sempre que possível utilizar adubos como tortas de mamona e cacau, estercos de gado e galinha. A adubação verde por incrementar a cobertura do solo, protege e melhora a sua estrutura física.

 

Época e Localização da Adubação

 

As adubações de cobertura devem ser efetuadas, mensalmente ou de 2 em 2 meses. Deve-se ter sempre uma boa umidade no solo, colocar o adubo em círculo e usar fontes de adubos preferencialmente solúveis e que contenham enxofre.

 

Tratos Culturais

 

Irrigação - o mamoeiro é uma planta muito exigente em água, tanto no período de crescimento quanto no período de produção, sendo necessário irrigar a cultura em regiões com déficit hídrico acentuado e/ou má distribuição de chuvas. Como o mamoeiro é sensível ao encharcamento deve-se evitar o método de irrigação por inundação.

 

Controle de Plantas Daninhas

 

O controle de plantas daninhas pode ser feito por capinas manuais ou mecanizadas, com uso de grades ou roçadeiras. Só se recomenda o uso das grades até os seis primeiros meses. Outra opção é a capina química, pela aplicação de herbicidas.

 

Culturas Intercalares

 

O mamoeiro, como cultura principal, pode ser consorciado com milho, arroz, feijão, batata doce, amendoim, leguminosas para adubação verde etc. Evitar consórcio com abóbora, melancia, melão e pepino.

 

Doenças e seus Controles

 

As viroses constituem o maior entrave à implantação desta cultura. As duas mais importantes são: Viroses do Mosaico do mamoeiro e Vírus da mancha anelar do mamoeiro.

 

Vírus do mosaico do mamoeiro (VMM): reduz a produção e prejudica a qualidade do fruto. Sintomas - amarelecimento e enrugamento das folhas mais novas; clareamento das nervuras, mosaico nas folhas e paralisação do crescimento das plantas.

 

Vírus da mancha anelar (VMAM): apresentam baixa produtividade e os frutos atingidos podem tornar-se imprestáveis para a comercialização. Sintomas - amarelecimento das folhas mais novas, clareamento das nervuras, enrugamento e mosaico nas folhas, redução da lâmina foliar (sintoma conhecido como fio-de-sapato) aparecimento de estrias oleosas nos pecíolos, etc.

 

Meleira - principal sintoma - perda por gotejamento do látex (leite) nos frutos.

 

Medidas de controle aplicáveis às viroses - devem incluir: produção de mudas em áreas isoladas para evitar a infecção ainda no viveiro; vistoria no viveiro e/ou no pomar duas a três vezes por semana; eliminação de pomares velhos e improdutivos; erradicar e/ou evitar o plantio de cucurbitáceas, berinjela, quiabo, algodão, couve, couve flor, pimenta e repolho (hospedeiras do vírus do mosaico), além de se fazer rotação de culturas.

 

Tombamento ou "Damping-off" - sintomas - encharcamento dos tecidos na região do colo, encolhimento da área afetada, apodrecimento de raízes, tombamento e morte das plantas.

 

Controle - com produtos à base de PCNB (Pentaclonitrobenzeno) (300g/1001 de água), regando o solo semanalmente até o desaparecimento dos sintomas.

 

Podridões de Phytophthora - manchas aquosas no colo seguida de apodrecimento de raízes, amarelecimento de folhas, queda dos frutos, murchamento e curvatura do ápice (ponteiro).

 

Controle - evitar o plantio em solos pesados, dar preferência a solos virgens, erradicar plantas irrecuperáveis e fazer o controle químico com fosetil AL (250 g/1001 de água) em três aplicações anuais.

 

Antracnose - aparecem nos frutos em qualquer estágio de desenvolvimento, mas principalmente em frutos maduros. As lesões começam com a formação de pontos negros, que vão aumentando de tamanho até transformar-se em lesões deprimidas, com até 5cm de diâmetro.

 

Controle - retirar e enterrar frutos atacados, colhê-los ainda verdoengos, desinfestar galpões e vasilhames de transporte e aplicar quinzenalmente fungicidas à base de cobre.

 

Varíola ou pinta-preta: surgimento de pequenas lesões circulares na parte inferior da folha. Nos frutos, as lesões são circulares, salientes, apresentando centros esbranquiçados no estágio final.

 

Controle - aplicações quinzenais de fungicidas à base de cobre, a partir do início da frutificação.

 

Oídio - ocorre especialmente em viveiros muito sombreados e durante os meses mais frios. Sintomas - aparecimento de manchas verde-amareladas de contornos irregulares. Nestas áreas descoloridas surge uma massa pulverulenta branca formada pelos esporos do fungo.

 

Controle - aplicação de fungicidas à base de enxofre. As aplicações não devem ser feitas com temperaturas acima de 20 graus centígrados para não queimar os frutos.

 

Pragas, Nematóides e seu Controle

 

Pragas principais:

 

Ácaro branco - conhecido como ácaro tropical ou ácaro da queda do chapéu. As folhas novas ficam reduzidas quase que somente às nervuras, paralisando o crescimento. Ocorre principalmente durante os períodos mais quentes e de umidade mais elevada.

 

Ácaros rajado e vermelho - provoca o amarelecimento, necrose e perfurações nas folhas. Ocorrem nos meses quentes e secos. O controle é feito eliminando-se as folhas velhas e aplicando-se acaricidas.

 

Pragas secundárias:

 

As cigarrrinhas verdes - ao sugarem a seiva das plantas causam o amarelecimento e encurvamento das folhas mais velhas. Para o controle aplica-se trichlorphon ( não registrado para o mamoeiro) somente quando houver ataque.

 

Mandarová ou gervão - se alimentam das folhas. A planta pode apresentar desfolhamento total. Pode ser controlada usando inseticida biológico, a base de Bacillus thuringiensis.

 

Como pragas podemos citar também a lagarta rosca, coleobrocas, cochonilha, mosca-das-frutas, formigas cortadeiras, pulgões e nemátoides.

 

Nematóides - apresentam sintomas de clorose (amarelecimento), queda de folhas mais velhas, redução e paralisação do crescimento, além do retardamento no início da produção e baixa produtividade.

 

Controle - plantio de mudas sadias, em áreas livres de fitonematóides, não localizar o viveiro junto ou abaixo de lavouras de mamão, sem proteção adequada, proteger o veiro contra enxurradas, com valas profundas ou cordões altos, nas suas laterais, etc.

 

Colheita e Pós-colheita

 

O fruto pode não amadurecer normalmente se colhido muito imaturo. A depender da cultivar o mamão completa a maturação na planta 4 a 6 meses após a abertura da flor. Para comercialização e consumo, deve-se colher os frutos quando apresentarem estrias ou faixas com 50% de coloração amarela.

 

Tratamento Fitossanitário

 

O mamão possui uma casca muito fina, facilmente danificável, e pequenas lesões durante o manuseio são portas de entrada para microorganismos. Portanto, é necessário efetuar tratamento dos frutos após a colheita. É importante salientar que o tratamento hidrotérmico pode causar alterações no metabolismo do fruto e consequente descaracterização da palatabilidade, sendo necessário um rígido controle da temperatura da água e do tempo de imersão.

 

Fonte: Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

 

da redação do Nordeste Rural
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