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sexta-feira, 1 de junho de 2007
Piso de aviário - I Parte: Concreto ou Chão Batido?

Por

Valéria Maria Nascimento Abreu*

Paulo Giovanni de Abreu**

Fátima Regina Ferreira Jaenisch***

 

 

Essa é ainda uma questão que gera polêmica na avicultura. As recomendações para piso de aviários considerando o contexto sanidade, manejo e conforto térmico é o de concreto. No entanto, a maioria dos produtores não vem adotando esse tipo de piso em função do alto custo de implantação, preferindo o piso de chão batido. A ausência de pesquisas especificas, faz com que as recomendações sejam empíricas e apontam várias contra-indicações para o não uso do piso de chão batido como: desconforto térmico, baixo desempenho das aves e difícil desinfecção do ambiente.

Essas recomendações baseiam-se na idéia de que no piso de chão batido a umidade da cama é maior, e como conseqüência aumenta a umidade do ar provocando o desconforto térmico, aumentando os níveis de amônia nos aviários e que por sua vez interferem negativamente no desempenho geral das aves. No entanto, uma das poucas pesquisas realizadas nesse sentido, demonstrou que no piso de chão batido, a cama apresenta umidade entre 8 a 10% menor, fermenta menos e produz menos amônia que no piso de concreto. Em outro resultado, constatou-se que a produção mínima de amônia é conseguida mantendo a umidade da cama e pH, abaixo de 30% e 7,5%, respectivamente, além da umidade relativa do ar ficar em torno de 50%.

Mas, os que são contrários ao uso de chão batido, justificam que o grande problema desse tipo de piso é a desinfecção, pela dificuldade de remover toda a matéria orgânica de sua superfície, o que reduz a ação antimicrobiana da maioria dos produtos desinfetantes. Em contrapartida, os defensores desse tipo de piso, apontam para bons esquemas de desinfecção como resolução desse problema.

Controvérsias a parte, o fato é que na literatura são raros os trabalhos que tratam desse assunto e quando o fazem, geralmente abordam a parte sanitária, deixando de lado outras variáveis importantes, tais como: desempenho produtivo das aves, conforto térmico proporcionado por esses pisos, umidade e pH de cama e principalmente, o relacionamento entre todos esses fatores.

Diante desses fatos, a Embrapa Suínos e Aves desenvolveu um trabalho que teve como objetivo comparar o efeito da utilização do piso de concreto e de chão batido na produção aves.

 

A METODOLOGIA

 

O experimento foi realizado em duas épocas (22/08/002 à 03/10/2002 e 24/10/2002 à 05/12/2002), em quatro aviários de 12 m x 10 m para frangos de corte, divididos internamente em 4 boxes, com 250 aves cada. Esses aviários eram novos, portanto sem terem sido povoados anteriormente. Os tratamentos testados foram piso de concreto e piso de chão batido. Em ambos sistemas foi colocada cama de maravalha com 10 cm de espessura. As aves foram de sexo misto, sendo 50 % macho e 50 % fêmea. Foram instalados no centro de cada box e no ambiente externo, um termômetro de bulbo seco, bulbo úmido e de globo negro. Os dados do ambiente térmico interno e externo dos aviários foram coletados em intervalos de 3 em 3 horas, de 0 às 24 horas, na quarta, quinta e sexta semana de vida das aves. Com base nos dados coletados em cada horário, no ambiente térmico externo e interno, foi determinada a Umidade Relativa do Ar (UR) e foram calculados, o Índice de Temperatura de Globo e Umidade (ITGU) e a Carga Térmica Radiante (CTR). As aves e a ração foram pesadas semanalmente e as variáveis estudadas foram peso inicial, peso vivo, ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar, aos 21 e 42 dias de idade das aves. Também foi determinada a umidade e o pH da cama.

Avaliou-se a contaminação residual na cama dos aviários, após o processo de limpeza e desinfecção, da seguinte maneira: após a limpeza procedeu-se a desinfecção dos aviários com produto a base de quaternários de amônio e as instalações permaneceram fechadas por 10 dias. Dois dias antes do alojamento dos pintos, distribuiu-se nos aviários a cama de maravalha nova e os demais utensílios (bebedouros, comedouros, campânulas). Em seguida, procedeu-se nova desinfecção e fumigação com formol e permanganato de potássio abrangendo todo o ambiente interno dos aviários. Amostras de cama dos aviários foram coletadas em 5 pontos de cada boxe, acondicionadas em frascos estéreis homogeneizados, para obtenção de um pool de 25 gramas de cama por boxe. Posteriormente as amostras foram processadas, no laboratório do Centro de Diagnóstico em Saúde Animal (CEDISA), para contagem de UFC/mL de Coliformes por meio de placas Petrifilm. O grupo Coliformes foi utilizado como indicador bacteriológico estando incluídos os bacilos gram negativos, não esporulados, aeróbios facultativo e que fermentam a lactose com produção de gás dentro de 48 horas à 35°C. Os indicadores de higiene, abrangeram bactérias como a Escherichia coli e a Enterobacter aerogens. As coletas foram realizadas em dois períodos distintos: 1º Período - duas horas antes do alojamento dos pintos; 2º Período - após a saída das aves do aviário, cama com 42 dias de uso.

 

OS RESULTADOS

 

Conforto Térmico

 

A temperatura do ambiente e umidade relativa foram maiores no piso de concreto, mas não foram suficientes para influenciar o ITGU e a CTR (Tabela 1). Os maiores valores de temperatura ocorreram na época 2, sendo que diferiram das temperaturas na época 1. Esses valores encontrados não são considerados críticos para a produção de aves. Os valores de ITGU, para a época 1, ficaram em torno de 66 e para a época 2, 74. Valores de ITGU variando de 65 a 77, são compatíveis com a produção das aves, portanto, os dois pisos oferecem conforto térmico para as aves. Para a CTR as diferenças encontradas foram somente entre as épocas do experimento. A umidade relativa do ar mostrou-se acima dos valores ideais para a produção de aves, que é de 60 a 70%. O piso de concreto apresentou, na média, maior valor de umidade relativa que o piso de chão batido. A diferença dos valores foi pequena, mas mesmo assim, apresentou efeito significativo.

Tabela 1 – Valores médios de Temperatura do Ar (º C), Índice de Temperatura de Globo e Umidade (ITGU), Carga Térmica Radiante (W/m²) e Umidade Relativa do Ar (%), de acordo com o tipo de piso dos aviários e épocas

 

Temperatura do Ar (ºC)

Época

Concreto

Chão Batido

Média

Externo

1

18,51

17,46

17,99 b

15,04 b

2

23,76

23,62

23,69 a

26,01 a

Média

21,13 A

20,54 B

Índice de Temperatura de Globo e Umidade (ITGU)

Época

Concreto

Chão Batido

Média

Externo

1

66,77

66,37

66,57 b

65,10 b

2

74,34

74,04

74,19 a

80,21 a

Média

70,55 A

70,21 A

Carga Térmica Radiante – CTR ((W/m²)

Época

Concreto

Chão Batido

Média

Externo

1

418,16

417,29

417,72 b

448,48 b

2

450,72

450,23

450,48 a

521,02 a

Média

434,44 A

433,76 A

Umidade Relativa do Ar (%)

Época

Concreto

Chão Batido

Média

Externo

1

85,93

85,99

85,96 b

88,86 a

2

89,73

87,36

88,54 a

89,01 b

Média

87,83 A

86,67 B

Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si, maiúsculas para tipos de piso e minúsculas para épocas, pelo teste Tukey a 5%.

De maneira geral, o piso de chão batido proporcionou melhor condição térmica que o piso de concreto.

 

 

OBS. A segunda parte do artigo sobre O Piso do Aviário será publicada em breve. Aguarde.

 

 

*DSc, área de produção de aves, Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves

** DSc, área de construções rurais e ambiência, Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves

***MSc, área de patologia de aves, Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves

Da Redação do Nordeste Rural
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